Barn Owl (via truan)
Barn Owl (via truan)
just for the record, alguns outros lugares onde me achar:
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Era noite, mas nenhum dos dois sabia ou mesmo se importava, já nessa época o claro e o escuro não eram mais conhecidos. Andando os dois vinham há muito tempo e assim continuariam enquanto houvesse aonde andar, pensavam ambos.
Do mesmo modo que não havia mais o claro e escuro, também já não fazia sentido falar em paisagens, caminhos, lugares. Nem mesmo pessoas. Desde um passado anterior às suas memórias tudo havia se desfeito, se tornado cinzas (ou cinza?).
Apesar de todo esse mundo de cinzas, de sempre se perguntar por que começaram um dia a andar e, afinal, onde iriam chegar, os dois nunca quiseram ou sequer pensaram em parar. Até então.
E eis que naquela noite, repentinamente, os dois notam que, no meio de todo o cinza do mundo, havia algo diferente, um fino e tênue traçado ao longo de todo o caminho que percorreram, que pouco a pouco ia se alargando a medida que ia em direção a um clarão, um brilho, distante e difuso.
- Você sabe o… nome… disso?
Até as palavras já lhes faltavam
- Não…
- Será que… alguém… sabe?
- Não sei… ainda existe alguém…?
Cabisbaixos, se entreolharam, e com a mesma certeza e surpresa lembraram de um volume que traziam desde sempre. Nada mais era que um antigo amontoado de “folhas com nomes” - um livro? - que ainda não havia se desfeito e se unido à imensidão cinza - e talvez não terá nunca esse destino.
- Isso era dos antigos, os nomes devem estar aqui.
- Mas como a gente vai saber quais nomes são dessas coisas?
Por um tempo ela pensou em silêncio, até que brotou, como óbvia, a idéia:
- Vamos nós mesmos escolher!
E após folhear aquele monte e decifrar com o pouco de conhecimento que tinham ainda dos antigos, apontando pra cada “algo” a frente, devolvendo-lhes nome - e vida - e mesmo sem saber, salvando aquele mundo de se acabar em cinzas.
Ela, para o algo brilhante:
- Dia.
Ele, para o lugar onde o dia estava:
- Futuro.
Ela, para aquele caminho de onde vinham, para onde iriam:
- Esperança.
E por fim, sabendo agora que tudo aquilo que conheciam em seu mundo já tinha nome novamente, deram-se as mãos.
E seguiram andando.

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